Another Side of Bob Dylan

23 de março de 2018

A "It Ain't Me Babe" foi das minhas preferidas e o que vimos ontem à noite foi mesmo "Another Side of Bob Dylan", ou talvez não.  Foram alguns os que saíram desiludidos, mas aquilo que Bob Dylan mostrou ontem é que continua a ser precisamente ele próprio, e nada menos se esperaria. Com um twist nas músicas primordiais da sua carreira, deliciou-nos com uma sonoridade blues/rock'n'roll e um fantástico "Why Try To Change Me Now" em que finalmente se levanta do piano e nos dá aquilo que todos nós queríamos. 

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As luzes apagavam-se no final de cada música para nos mostrar um palco novo e foi também assim que Bob Dylan chegou ao Altice Arena às 21h, no escuro do pavilhão com "Things Have Changed" e uma banda absolutamente fantástica. Já não nos aparece um Robbie Roberston, um Levon Helm, nem um Rick Danko, como noutros tempos em que Dylan se ligou à eletricidade, mas "His Band" (not The Band, anymore) não deixou de nos impressionar. Quando tocou a "Soon After Midnight" o palco transformou-se num manto de estrelas e foi simplesmente mágico.  

Num concerto repleto de blues, rock'n'roll e uma pitada de jazz, o faltava era um pézinho de dança. Nós estávamos sentados, os músicos estavam parados, e talvez isso tenha impedido a diversão que podia ter sido. Não deixou de ser bom acompanhar os tempos com o pé a bater no chão e mexer os ombros ao ritmo da música de olhos fechados, mas talvez tenha faltado um ecrã que nos mostrasse mais aproximadamente "Bob Dylan and His Band". 

Para quem estava à espera de um Dylan nos seus vinte a realidade foi dura, a "Blowing In The Wind" foi praticamente irreconhecível e só me apercebi que se tratava da "Don't Think Twice It's Alright" passado alguns versos, e se a primeira parte do concerto se revelou algo monótona, talvez da deceção de não nos depararmos com um Bob Dylan de guitarra e harmónica em 1964, numa segunda parte deixámo-nos maravilhar com aquilo que nos trazia e que mostrou, mais uma vez, que Dylan não é ninguém sem ser ele próprio e faz aquilo que bem lhe apetecer. 



"All I can do is be me, whoever that is."
- Bob Dylan

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